quinta-feira, 12 de junho de 2014

Copa de 2014 não tem a ver com predestinação espiritual


O Espiritolicismo tenta nos fazer convencer que o evento da Copa do Mundo FIFA 2014 tem a ver com o cumprimento das promessas escritas no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que Chico Xavier lançou usando o nome de Humberto de Campos (que nunca iria escrever um livro desses), anunciadas pelo "anjo" Ismael.

Segundo essas promessas, o Brasil seria o "reino de luz" que guiaria a humanidade futura, espécie de "terra prometida" da era moderna e referencial de suposto desenvolvimento social e moral pleno, como o país supostamente escolhido por Jesus para ser a vanguarda moral da Terra.

Junta-se as perspectivas das chamadas classes dirigentes, que acreditam que o Brasil está prestes a entrar no Primeiro Mundo,  com as das lideranças "espíritas", que creem que o nosso país irá comandar o progresso da humanidade, e soma-se tudo isso ao oba-oba da Copa, com o primeiro jogo já ganho entre a seleção brasileira contra a seleção da Croácia, por 3 a 1. Ilusão na certa.

Primeiro, porque o Brasil ainda é um país muito problemático, embora tido como um dos favoritos dos BRICS. Houve quem apostasse que o país sul-americano iria ser o primeiro a se tornar potência do grupo de "emergentes" - compostos, além do Brasil (B), de Rússia (R), Índia (I), China (C) e África do Sul (S, do inglês South Africa) - , mas a China, ainda ditatorial, já passou a dianteira.

Segundo, porque a desordem em que ainda vive nosso país, com desigualdades, injustiças e violências, ainda impede que o Brasil seja sinônimo tanto de desenvolvimento sócio-econômico, como querem os analistas político-econômicos mais otimistas, como de desenvolvimento moral, como querem os espiritólicos.

O Brasil ainda não atingiu um estágio de desenvolvimento sócio-econômico dos países desenvolvidos, e muitos de seus valores, procedimentos e crenças viciados ainda mantém o país num estágio bastante atrasado. Uma amostra disso é a mania que uma boa parcela da intelectualidade cultural do país tem de acreditar que a pobreza das periferias é "coisa linda de se ver".

O que se viu na realização da Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil foi apenas uma escolha de um livre-arbítrio de empresários, políticos e dirigentes esportivos que achou por bem realizar eventos esportivos no país. Teremos ainda as Olimpíadas de 2016.

Foi apenas uma afinidade de interesses que esteve em jogo, mas também uma questão do poder político exercido por pessoas como Ricardo Teixeira e Joseph Blatter, por exemplo. Nada que tivesse reação com supostas profecias sobre a transformação do Brasil na nação-guia da humanidade futura.

É até estranho que a FEB, tão declarada espiritualista, queira tanto essa ideia materialista de creditar um país como guia da humanidade, quando sabemos que a evolução da humanidade está acima das nações e das fronteiras geográficas que são fruto dos interesses materiais dos homens, que até têm sua validade sócio-cultural, mas são completamente nulas no âmbito do mundo espiritual.

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